Cuidado com o Consumo Acidental de Caboz com Tetrodotoxina

03/05/2013

  Foi noticiado recentemente na imprensa do continente que residentes da cidade de Leizhou, em Zhangjiang, na província de Guangdong, sofreram intoxicações alimentares por consumo de peixes do lodo. Análises posteriores dos peritos revelaram que a verdadeira causa da intoxicação foi o consumo, por engano, de caboz tóxico de barbatana amarela (yongeichthys criniger), de aspecto muito semelhante aos saltadores do lodo. O caboz tóxico é muito rico em tetrodotoxina (TTX), uma potente neurotoxina que se encontra no fígado de alguns peixes, resistente ao calor e que sobrevive à preparação do pescado, seja por cozimento ou secagem. Por esta razão, o consumo de peixes com TTX é muito perigoso.

 

  O caboz tóxico de barbatana amarela é membro da numerosa família dos Gobiidae, portador de tetrodotoxina (TTX) mas que no seu caso se concentra sobretudo na pele. O seu habitat são águas salobras e doces, mangais, lodo costeiro ou bancos de areia sedimentosos. Não é um peixe muito activo, alimentando-se de bentos, peixe miúdo, camarões e detritos orgânicos. O caboz tóxico e os saltadores do lodo são muito parecidos, mas estes, que também pertencem à família dos Gobiidae, não são tóxicos, sendo uma espécie comestível e muito comum nos estuários, pântanos e zonas húmidas da China. Os da província de Guangdong alimentam-se sobretudo de caranguejos e insectos.

 

Principais diferenças entre o caboz tóxico e os saltadores do lodo

Caboz tóxico de barbatana amarela

Saltador do lodo

Cabeça

Olhos planos ou encovados, e boca romba

Olhos salientes e rotativos; boca aguçada

Partes laterais do corpo

Três manchas grandes castanhas no meio e dorsal com pintas

Seis ou sete listras horizontais preto-acinzentadas, desde a parte de cima até à base das barbatanas dorsais.

Cor da pele

Branco pálido

Castanho-azulada ou castanho acinzentada, com o ventre branco; pele cheia de muco.

 

Dicas para os comerciantes

1.     Encomende o pescado apenas de fornecedores idóneos, para se assegurar que estão em boas condições higiénicas e são próprios para o consumo humano;

2.     A declaração de importação deve ser tramitada de acordo com a legislação de Macau aplicável sendo necessário fazer marcação prévia para inspecção sanitária;

3.     Mantenha-se em contacto directo e estreito com os fornecedores do local de exportação. Em caso de necessidade, exija aos respectivos fornecedores a apresentação de documentação comprovativa, como informação sobre a unidade de fabrico, documentos de exportação e certificados sanitários autenticados pelo governo do local de exportação, certificados de origem e relatórios de testes laboratoriais;

4.     Mantenha em lugar seguro todos os documentos comprovativos, como a ordem de encomenda e os recibos, para facilitar a tarefa dos departamentos competentes na identificação da origem dos produtos e respectiva gestão em caso de necessidade.

 

Dicas para o público

1.     Adquira pescado apenas de estabelecimentos idóneos;

2.     Não pesque nem apanhe peixes que não conheça, sobretudo se for para consumo;

3.     Evite comprar e preparar para consumo peixes de espécies ou proveniência desconhecidas.

 

Para mais informações sobre a tetrodotoxina (TTX), consulte:

https://www.foodsafety.gov.mo/p/science/detail/de233a9c-c67b-41be-8646-cc68d8609d43

 

Fonte:

http://www.cfs.gov.hk/tc_chi/multimedia/multimedia_pub/multimedia_pub_fsf_09_01.html

http://www.ssm.gov.mo/docs/164/164_d91ca6beaa297cda8087da0cebe83a21983f143d_000.pdf